Todos vocês renasceram. Se você não tem uma esposa adorável, não é demais lhe dar uma tigela — Capítulo 29: Apostando

— Vai trocar por umas fichas. Deixa eu ver o quão boa é a sua técnica — fica por minha conta.

— Hmm? Eu não sei jogar. Nunca pus o pé num cassino.

Li Linghan recusou de novo. Sentia que já fizera o bastante; o verdadeiro objetivo não era estar num cassino de qualquer forma.

— Então você gosta de dinheiro?

Todo mundo gosta de dinheiro. Caso contrário, Li Linghan não se daria ao trabalho de se meter nessas águas turvas.

— Se quiser fazer dinheiro, posso te apresentar a um emprego aqui, talvez como dealer. Com meu relacionamento com o chefe, você não ficaria corto de renda.

Não seria difícil para Li Linghan, mas aquela não era a intenção.

— Obrigada, Senhorita, mas passo. Quero ir embora.

— Está passando? Tem ideia de quanto tempo minha gente vem te observando? Só te dei esta chance porque achei que você era equilibrado. E está recusando?

— Sim. Porque, francamente, prefiro meu estado atual — liberdade. Me permite ver quem eu quiser, quando eu quiser… como uma garota tão bela quanto você.

A resposta de Li Linghan pegou a Senhorita de surpresa. Achou uma desculpa qualquer e partiu. A habilidade de ir embora tão composto, mesmo depois de alguém oferecer fichas, só aguçou o interesse dela ainda mais.

Alguns dias depois, O Grandão e a turma zoaram Li Linghan quando o viram.

— Como está indo? Você tem jogo, Chefe! Até a Senhorita é alguém que você leva pra um encontro? A gente nunca viu isso vindo…

Li Linghan corou.

— Foi só uma reunião de negócio. Não vão espalhando bobagem. De qualquer forma, acharam aquela fachada que eu pedi? Anda e começam as reformas. Precisamos acelerar as coisas com o Fliperama.

— Pode deixar, Irmão Li. Não se preocupa. Achamos um prédio de três andares. O plano é rodar o Fliperama no térreo e a Sala de Bilhar no de cima. Também estamos contratando designers pras salas VIP e lounges privativos — o que o Chefe quiser, a gente faz acontecer.

Enquanto O Grandão falava com Li Linghan, o telefone tocou.

Li Linghan viu um número desconhecido, não deu atenção e desligou. Para sua surpresa, o telefone tocou de novo.

— Alô, quem é?

— Tiozinho~! Não me diga que esqueceu de mim? Não te vejo há alguns dias e senti bastante sua falta. Está livre hoje?

— Estive um pouco ocupado últimamente. O quê, ficou sem parceiros de mahjong de novo?

— Não é isso. É só que um conhecido recomendou um lugar novo, ainda maior do que aquele pra onde te levei. Pensei, e você é a única pessoa que eu conheço que realmente sabe jogar…

— Eu te disse outro dia, eu não jogo. Você deveria ir sozinha. — A recusa de Li Linghan foi nítida e limpa.

— Ai, vamos… só me faz companhia. Vem comigo, você sequer precisa jogar ou ajudar com nada. Só age como meu guarda-costas. Eu não levo guarda-costas pra esses lugares, e meu pai não sabe que estou lá. Por favor, estou te pedindo~~!

Dizem que mulheres que fazem denguinho têm a melhor sorte, e era a única coisa que Li Linghan não aguentava. Não teve escolha senão engolir e ir atrás dela.

O cassino pra onde foram desta vez era ainda mais escondido do que o último. Na superfície, era uma área portuária cheia de contêineres. O salão de jogo real ficava subterrâneo, com múltiplas saídas todas guardadas por segurança, desenhadas para fuga rápida se as coisas dessem errado.

A localização ficava longe do centro da cidade; conferindo o GPS do celular, já estavam fora dos limites urbanos.

— Você veio tão longe. Se algo der errado, seu pai não conseguirá te alcançar a tempo.

— O que poderia acontecer? Eu tenho idade, e tenho gente me seguindo aonde quer que eu vá. Acha que eu sou tão burra? Além disso, você está aqui comigo. Eu confio que, não importando quais foram seus motivos pra se aproximar de mim, você não me deixaria pra trás.

Assim que entraram no salão, a Senhorita o levou a circular para se familiarizar com o ambiente exatamente como antes. Nem sequer tinham terminado uma volta quando ouviram uma comoção.

— Corre! A polícia está invadindo o lugar!

A cena degenerou em caos no instante. Os cavalheiros de terno perderam toda a compostura, enfiando dinheiro freneticamente nos bolsos mesmo nesta situação, enquanto as mulheres só gritavam. Tudo saiu de controle.

Li Linghan não teve tempo de pensar. Agarrou a mão da Senhorita e correu. Correram por muito tempo antes de finalmente saírem, mas tudo o que conseguiam ouvir lá fora eram sirenes de polícia.

Estava escuro como breu à noite. Li Linghan não estava familiarizado com a área e não sabia pra que lado ir, então puxou a Senhorita para um contêiner aleatório.

Li Linghan trancou a porta por dentro e iluminou com a luz do celular. O contêiner tinha uma cama grande, muitos lanches embalados e várias caixas de cerveja. Parecia que aquilo era os alojamentos improvisados dos guardas de segurança.

Ouvindo o barulho lá fora, Li Linghan sentou na beira da cama com a Senhorita e apagou a lanterna, ouvindo com atenção na escuridão.

Parecia uma operação grande. Provavelmente pegariam bastante gente. Comparados à multidão dentro do cassino, os dois tiveram sorte; ao menos não tinham de se esconder. Mas esperar a polícia terminar as prisões, selar a cena e contar todos os fundos do jogo não levaria só algumas horas.

— Já é noite, e a gente não consegue sair de qualquer forma. Vamos só dormir aqui. Saímos quando o sol nascer e as coisas acalmarem.

Diferente das outras mulheres que só sabiam gritar, a Senhorita estava até mais calma do que Li Linghan. Percebendo que não havia outra escolha senão esperar até a manhã, simplesmente se deitou na cama.

— Vem dormir também. Amanhã saímos juntos.

Naquele momento, trovões rolaram lá fora, seguidos do som de um aguaceiro torrencial. Dormir ao ritmo da tempestade era a coisa mais pacífica imaginável.

Os dois mergulharam num sono profundo.

O vento e a chuva ficaram mais fortes ao longo da noite, a ponto de o contêiner inteiro parecer balançar. Li Linghan não pensou muito nisso, vendo que a Senhorita dormia serena — deve ter estado exausta do dia.

Não soube quanto tempo passou quando acordou. O celular estava morto. Não fazia ideia de que horas eram.

Li Linghan pressionou o ouvido na porta do contêiner, mas só ouviu o som da chuva. Não conseguia ouvir nenhuma voz lá fora. Não sabia se a batida acabara ou se ainda estavam limpando as coisas.

Li Linghan voltou à cama, perdido em pensamento.

De repente, um batimento metálico violento ecoou contra a porta do contêiner. Os dois se sentaram de uma vez.

— Capitão, este contêiner não abre. Parece que está trancado por dentro.

Li Linghan caminhou e destrancou a porta que securara na noite anterior.

Desta vez, viu com clareza: tinham sido carregados num navio como carga. Uma dúzia de marinheiros robustos caminhava pelo convés, e ninguém parecia tê-los notado sequer.

Li Linghan levou a Senhorita para fora do contêiner e encarou a embarcação massiva, atônito. Para onde iam? Tudo agora estava além do controle.

Li Linghan caminhou até a popa e viu um homem de pele escura no leme. O navio se movia a toda velocidade; certamente não viraria de volta só por causa da presença deles.

Li Linghan achou o Capitão e soube o destino. Ficava claro agora que teriam de esperar o navio terminar a viagem completa antes de voltar a terra. Efetivamente, já tinham deixado o país, pois aquele navio partira para comércio internacional.

Li Linghan deu a notícia à Senhorita. Além de ficar no navio, não tinham outras opções.